O ENTRECAMPO
Este livro integra o projeto O Entrecampo dos Olhos, obra literária de estreia de Celso Mathias no campo da escrita, resultante de um percurso artístico consolidado nas artes visuais.
A publicação articula narrativa ficcional, pensamento simbólico e experiência estética, investigando os territórios do inconsciente como paisagem sensível e espaço de travessia. O texto dialoga diretamente com a produção visual do autor, marcada por imagens recorrentes como olhos, arquiteturas suspensas, seres insólitos e atmosferas oníricas, agora transpostas para a linguagem literária sem função ilustrativa ou explicativa.
A obra é atravessada por referências aos estudos do autor sobre Carl Gustav Jung, especialmente no que se refere à noção de inconsciente como campo autônomo de imagens e símbolos, compreendido não como patologia, mas como matéria viva de elaboração subjetiva. A narrativa adota uma escrita fragmentada, de ritmo controlado, recusando a linearidade clássica e a resolução fechada, em favor de uma experiência de leitura contemplativa.
O Entrecampo dos Olhos insere-se no campo da ficção literária contemporânea com forte diálogo com as artes visuais, aproximando-se do realismo fantástico e da literatura de cunho simbólico, sem recorrer a estruturas de gênero tradicionais. Trata-se de uma obra pensada tanto como livro quanto como objeto artístico, passível de desdobramentos expositivos e educativos.
Esta carta bibliográfica acompanha a edição como documento de contextualização da obra, destinando-se a fins de catalogação, registro, editais culturais e circulação institucional.

Um homem atravessa uma porta branca e descobre que o tratamento não começa no corpo, mas no intervalo entre vigília e sonho.
Em O Entrecampo, a realidade não se rompe — ela se desloca. Cidades suspensas, naves silenciosas e mares que observam surgem não como fuga, mas como camadas invisíveis do cotidiano. Nada se apresenta como delírio; tudo insiste como presença.
Esta é a história de uma travessia íntima, onde o inconsciente se manifesta como paisagem e o estranho aprende a conviver com o familiar. O que se perde não é a sanidade, mas a ilusão de que existe apenas um mundo possível.
Alguns lugares não pedem explicação.
Pedem escuta.
Leitura
ISBN: 9786501890210
176 páginas

































